quinta-feira, 6 de agosto de 2009

UFPB

Universidade Federal da Paraíba.
Queria deixar umas fotos, embora poucas, da universidade por onde ando todos os dias que tenho aula.

Este é o caminho que faço sempre para ir de uma aula da área de biologia para uma das aulas de psicologia. Ora, não se entende como engordei! Tenho que andar kilómetros! Mas quando o calor nos ensopa de suor ou quando é a chuva que o decide fazer, peço boleia a alguma alma caridosa.

Esta é a biblioteca central, está rodeada por natureza lindíssima - toda a universidade está no meio da reserva de mata atlântica. Mas por dentro a biblioteca é um bocado decadente. Há poucas ventoinhas e muito calor e melgas. Um banheiro assustador e baldes no meio da escada de cimento porque caí água do tecto. Um funcionário lentíssimo onde se demora no mínimo 30 minutos para se conseguir requisitar um livro e um torniquete com outro funcionário cuja função é olhar as malas para ver se ninguém rouba nada.

Não consigo deixar de me fascinar com estas árvores sempre que passo ao lado delas. Olhem só o tamanho! Dá para comparar com a rapariga que está a passar na foto.

Este é o caminho para o CCHLA, onde estão as áreas humanas e de letras. Pelo caminho há sempre gatinhos lindos. E esta é a famosa Praça da Alegria (tem mesmo o nome escrito na parede, coisa de brasileiros eheh). É aqui que costumo estar. O Fernando está às vezes por aí ora a vender ora nas aulas. Descobri no outro dia um senhor muito simpático que vende pasteis naturais muito bons. Há também essas banquinhas com brincos e tudo o mais. Lá à frente estão penduradas as calças que o Marinho vende. Nunca, em 4 meses, vi alguém comprar, mas ele é fantástico. Todos os dias me diz o que se anda a passar na cidade. Concertos, Festas de rua, festivais de cinema, tudo, de todos os gostos e muitas vezes coisas alternativas e pouco conhecidas! Ainda hoje mal me viu dirigiu-se a mim para dizer que haveria um concerto grátis de guitarra lá no centro.

Gosto desta praça. É aqui que atrofio com a Maíra e a Juliana depois das alucinantes aulas de OP, e onde converso com o Izaías. :)

Mais umas novidades:
Fui surfar ontem! Claro que taralhoca como sou não me consegui levantar da prancha em nenhuma das 5 ondas que apanhei. Era tão difícil só ir até lá à frente com a prancha! Bastantes ondas me empurraram de volta, como se não houvesse amanhã. O máximo que consegui surfar foi ficar de joelhos em cima da prancha eheh, mas só ir deitada na espuma da onda já é tão saboroso! Na despedida da aula de surf, na última onda, estava tão concentrada em equilibrar-me e levantar-me que a prancha foi contra a areia e rebolei feita doida com força contra a praia.
Mas no final do dia, senti com prazer um agradável cansaço.
No outro dia também decidi dar uma de desportiva. Foi o seguinte: ia pra casa do Irapa à noite, tinha uma bicicleta e a maré estava baixa. Ora todo o caminho, desde minha casa até lá pode ser feito pela areia molhada! Maravilhoso... a lua a iluminar o branco da espuma, música chill nos fones e aí fui eu! Estou orgulhosa de mim eheh.
Vou agora de novo para lá, mas a bici ficou lá e na verdade a probabilidade de chover é enorme, mesmo que tenha estado um sol abrasador durante o dia - este país nunca se esquece que é tropical. Mas eu gosto mesmo assim.
Ah! O Gúbio ligou agora e vai dar-me uma carona até lá. Yey!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Os três companheiros

Uma parte muito significativa da minha estadia aqui foi embora esta semana.


Mas sei que vou voltar a Lisboa com dois grandes amigos. Quero continuar a vê-los, quero continuar a partilhar o meu tempo, os meus medos, as minhas rotinas com eles.

É tão estranho voltar da universidade, sair do ônibus e olhar a janela de sua casa... agora vazia. Que bom que era voltar das aulas e refugiar-me neles, contar o meu dia, saber do deles e planear a noite.
Foram a minha casa durante estes meses. Era pra eles que eu me recolhia e era com eles que fazia os planos para cada dia, para cada semana.

Desde o primeiro dia que gostei da boa energia destes meninos e logo que os vi senti-me completamente à vontade e transparente.

Em Pipa aliámo-nos ao dormir todos juntos no carro.

Sem saber o que esperar, fomos vivendo de acordo com algumas coisas q teríamos de fazer por aqui. É a Bárbara que tem o papel mas nós confirmámos que realizámos quase tudo o que nos dispusemos a fazer! Além dessa lista, havia apenas a frase "Já fizes-te amigos Margarida?" - que também se realizou.


Passeei bastante com eles pelo Brasil...

ri-me desalmadamente cada vez que o Pedro dizia expressões ou piadas palermas;

diverti-me com as mudanças de humor da Bárbara;


dancei feliz forró com o Pedro e samba com a Bá;

bebi, ri e chatei-os bastante nalgumas noites;

fiz fielmente parte da dupla de lontrinhas


corri para lhes contar tudo sobre mim, o que se passava, quais os meus problemas e histórias novas;

tive uma conversa óptima com ele, logo no início, numa emocionante festa de trance;

recebi boas massagens nos pés;

acordei no quarto dos portugueses bastante baralhada depois duma daquelas noites, sempre com eles ao meu lado;adorei o estilo da Bá e de ir às compras com ela;

tive sensações muito dificeis e estranhas com a Bá ao meu lado no couqueirinho, e outras super divertidas com uns biscoitinhos, rindo com ela sem parar;

confiei completamente neles;

partilhei uma noite a rede com o Pedro, nem sabemos bem como;

escutei com interesse os pensamentos sobre espiritualidade que o Pedro foi tendo ao longo do tempo;

partilhei a minha intimidade com a Bárbara e ela partilhou as histórias dela comigo;

A cima de tudo foi maravilhosamente fácil viver com eles. Sem stresses, num ambiente muito agradável e de confiança. :)

Sabemos que tivemos uma vida mesmo boa aqui e não a guardámos para cada um, partilhámo-la com quem estava ao nosso lado...

...E que bem que ficámos ao lado uns dos outros!

Até já meus queridos. :) *

segunda-feira, 27 de julho de 2009

terça-feira, 14 de julho de 2009

Este fim-de-semana teve muitas coisas.
Apercebi-me que a Inês já foi embora há uma semana, passou a correr.
A Fran foi embora e chegaram outros 3 ingleses também do curso de línguas.
Fomos passar o fim-de-semana a casa da Peitricia em Jacumã (30min daqui) onde comemos como reis, atrofiámos e aproveitámos a praia.
No início da noite recebo um telefonema mau. Peguei no carro (mais os meus dois companheiros de crise) e fui buscar o corpo morto da gatinha que acolhi em casa. A viagem silenciosa de carro foi o curto luto que fiz por este pequeno ser. Pontadas de culpa e raiva invadiam-me a mente ao mesmo tempo que a necessidade de ser responsável e credível me controlava na condução.

Foi há uma semana que encontrei a Sertaninha na rua, super doente e toda suja, completamente desorientada. Levei-a ao veterinari0, dei-lhe gotas e carinho. Mas ela tinha duas viroses e não melhorou.

Apesar de tudo, a noite de sábado foi muito muito divertida. Houve malabarismos e o jogo do lobo! "Sem condições"! :p

No dia seguinte fomos à praia que estava sem ninguém por ser Inverno.: ;)

(A Fernanda a fazer yoga.)

(As lindas trilhas até às praias fazem lembrar o Lost.)
Entre estas viagens divertidas (e a triste morte), acontecem outras coisas, há a faculdade, a falta de sono, a festa demais, os amigos e as pessoas novas. Há também a remodelação total da casa do Irapa - vai-se tornar um albergue com 7 quartos óptimos para alunos estrangeiros em intercâmbio. Que delícia, quem me dera ter um projecto destes nas mãos.
E de repente a aparente impossibilidade de passar de ano por causa de uma única cadeira (que não vou conseguir passar), fez-me deslumbrar com outras maravilhosas possibilidades.. Fiquei a sonhar sobre ficar no Brasil até Novembro (quando o visto termina); pensei em trabalhar em empregos bacanos tipo num hostel, ou num bar à noite...
...Seria tão bom ter só esse ano de pausa de estudo, ganhar um dinheiro e saborear ainda mais a vida...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Que nunca acabe...

Mesmo que a noite pareça ter acabado, fica esta sensação inspiradora. Nunca acaba. Deitada na rede aqui estou eu. Gata ao colo e pc nas mãos. Ventoinha ligada - porque estou no Brasil que ainda é quente. Conheci portugueses hoje. O mundo é tão pequeno. Podia ter contactado mais com eles no início e tudo poderia ter sido diferente. Vou a tempo de os conhecer melhor, vou a tempo de aprender capoeira, vou a tempo de viajar mais, de me dar mais aos amigos, vou a tempo de ir ao Rio talvez, vou a tempo de conhecer mais isto e aquilo enquanto estou deste lado do atlântico. Há tanta coisa pra conhecer, tantas pessoas fantásticas, tantos lugares lindíssimos! Esta viagem nunca vai acabar. Mesmo em Lisboa, vou pôr a minha rede no quarto, vou saber mais sobre o Brasil, vou a bares de samba de certeza. Há tanto pra conhecer! O tempo está a passar tão rápido que já não espero pelo fim de semana para o viver ao máximo. Vou perder o Verão em Portugal é verdade, mais uma razão para aproveitar isto ao limite! Já só tenho um mês e meio, será? Na verdade, esta é uma viagem que permanece sem bilhete de volta comprado. Viagem sem bilhete de volta...que gosto bom este da incerteza do tempo nesta terra maravilhosa.

domingo, 5 de julho de 2009

Outra noite

A chuva torrencial é o som de fundo juntamente com o barulho das conversas animadas nas mesas, no bar e sobre a mesa de snooker. Fecho os olhos e curto a vibração do baixo dentro do corpo, mas volto a abri-los com vontade de sugar com mais intensidade a música através deles.
Tudo começa com as rastas a balançar rapidamente ao som das batidas do baterista, que lembram África, depois a sedução surge inerente ao som das cordas da guitarra latina e por fim, o saxofone sofisticado entra em cena. A mão eleva o copo frio de vidro e cerveja fresca toca nos lábios energizando o sorriso. Um olhar à volta vê caras amigas e cumprimenta-as. Uma brisa fresca atravessa as portas de vidro e a pele sem roupa agradece. O frenesim composto pelos instrumentos termina e volto para casa porque tenho de acabar o trabalho para amanhã. Com restos de chuva, bebida, amigos e música dentro de mim continuo o trabalho da faculdade, mas amanhã, já se sabe, há outra noite.

domingo, 28 de junho de 2009

Semana no Sertão

Uma das melhores semanas que vivi aqui no Brasil...

Decidimos ir logo depois do jogo do Brasil mas acabámos por sair de João Pessoa só às 8h da noite.

(Fernanda, Irapuan, Inês, Ellie, Patrícia, Ravel, Bárbara, Eu e Pedro.)
Depois de 9h horas de viagem ao atravessar o estado da Paraíba até ao Sertão, e depois de umas paragens para atrofiar, chegámos à fazenda em São José de Piranhas, mesmo quando o "homem" estava a tirar o leite às vacas.


Eram 5h da manhã quando conhecemos a família Sobral. Amélia, Paulo e o terceiro irmão, o Dimitri.
A vista da casa fantástica com um alpendre a toda a volta, em frente à lagoa fez-me logo acordar e esquecer a viagem enorme pelas más estradas.
Mas ao nascer do sol, toda aquela calma e beleza e os sorrisos acolhedores deram-me vontade de adormecer tranquila na rede.



É só alegria, chocolate para as crianças, cabeça fria e os pés dentro de água. - Disse uma alma embriagada mas claramente inteligente. Ficou então a frase da semana.

Fomos à festa de São João com toda a família e até participámos numa dança tradicional a pares com a luz da fogueira e o som de forró pé de serra.
Eu e o Ravel fomos recolher as vacas a cavalo um dia e no outro fomos à quinta vizinha buscar ovos para o almoço.
Projectamos um filme à noite cá fora.
Cantámos, dançámos, saboreamos comidas deliciosas.
Mergulhámos na lagoa, curtimos a adrenalina da velocidade da mota e do galope dos cavalos.
Conhecemo-nos e rimos muito uns com os outros. Boas ligações surgiram entre as pessoas.

Caminhámos pelas trilhas por entre o mato.
Tentámos salvar um burro que caiu durante a noite. Com trabalho de equipa conseguimos trazê-lo para casa, mas ele não sobreviveu e no final do dia morreu. No dia seguinte um bezerro lindo nasceu.
Nos Cabrais, mergulhámos na cascata de pedras lisas e buracos gigantes com o pôr do sol lá ao fundo.

A caminhar pelo mato, pelas ortigas, tocas de cobras e teias de aranha.

A paisagem é linda demais :)

Festa de São João com família toda.

As nossas noites animadas que estranhamente terminavam super cedo.

O pips. ;)

Os atrofios da Inês :P
A beleza nos Cabrais a compensar a dificuldade da passagem pelas pedras. Nossa senhora pepé do socorro!


Oxe! Não vou mentir, foi bom demai home!

Adorei :) *