O Sentimento constante: uma brisa de insegurança com um toque de impaciência e ambição.
O Pensamento constante: E agora? Que há mais pra fazer? A quem falar, o que combinar? Falta alguma coisa. Falta sempre.
É isto que sinto ao tentar manter a minha vida como se ele aqui estivesse. Ao manter a rotina, a cumplicidade, o valor e significado de tudo. Porque quando se tem uma ligação destas, tudo o que fazes, és ou crias envolve o outro.
Mas ao longo do tempo a vida quer mudar, quer adaptar-se à nova situação, fazer novas rotinas. Sabe que é amada e ama, por isso não deveria haver problema em mudar, fazer coisas pra compensar a energia que não é partilhada.
É aí que surge a insegurança. Será que se me adaptar completamente, me esqueço dele? Não precisarei mais dele quando ele voltar?
É que no fundo ele pode aproveitar e abusar (porque é para isso que serve o erasmus), que depois sabe que volta para mim, um bocadinho diferente sim, mas igualmente segura em nós.
Mas eu estou no mesmo sítio. No mesmo bairro, no mesmo grupo de amigos, na mesma rotina.
Será que posso vir a deixar de precisar dele? (Vendo bem há tanta gente bem sem namorado.)
Claro que depois de traduzir em palavras o que ando a sentir nestes meses parece absurdo.
Rio-me de mim própria, é óbvio que o quero quando ele voltar! Penso "Bom, vamos acabar com esta parvoíce, respirar fundo, e vá." E então: um bloqueio. Mal desvio o olhar do amor dentro de mim para o que está à minha volta sinto-me outra vez sozinha.
É irracional.
Não sei como hei-de estar aqui contigo sem ti.
Poderia arriscar. Arrisquei e perdi antes de mudar o que quer que fosse.
Agora prefiro estar neste meio-termo, manter-me para ti, desgastar-me um bocadinho, ser menos do que poderia ser...
Porque sei que vou gostar muito mais do que sou quando estiver contigo!
Até já.