quarta-feira, 29 de abril de 2009

Coisas Desvairadas

Non belive que já passou quase uma semana desde que escrevi! O tempo passa um bocado rápido e eu tenho sono. Dói-me a barriga por causa da aula de pilates de ontem. Ontem faltou a electricidade à tarde e noite em toda a cidade. Jantámos à luz das velas numa pizaria a carvão. Gosto das minhas aulas mas são muito intensas e despreocupadas ao mesmo tempo. Como é que é possível ne? Confunde uma pessoa. Hoje também faltou a electricidade e guess what: sem ar condicionado não ha aulas pra ninguém. Estou a ensinar a Andrea a dizer shot gun nos momentos apropriados. O Pedro por seu lado só diz expressões palermas. Fiz uma comidinha óptima: arroz acenourado com refogado de soja, pimentos e tomate. Ficou muito bom e acabei de o almoçar. Os brasileiros inventam muitas palavras, é estranhíssimo. Gosto da minha casa nova. Mas na verdade estou um pouco apreensiva em tirar os cortinados da frente da janela, porque ontem pedi a um bacano que estava na janela dele, no hotel aqui ao lado, para me dizer a passe da net do hotel. E não quero cá mais coisas pelas janelas. A palavra janela tem bue piada. Janela janela janela. Gosto do pessoal da universidade. A música muda completamente o que sentimos pelas coisas, adoro ouvi-la no ônibus quando vou pa universidade. Na UFPB há milhões de gatos. Não vou à praia, por incrível que pareça não apetece, tá muito calor pa tar a morrer ao sol, só é fixe dar um mergulhinho e voltar.



No outro dia fiquei à espera do ônibus nesta paragem. Foi um bocado assustador, principalmente quando uma mota com dois homens entrou pela floresta adentro através daquele caminhozinho escuro ao lado direito da paragem. Depois começou a chover bastante.






O Nordeste do Brasil.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Mais segura

Ontem pela primeira vez não senti o aperto habitual de saudade e desadequação. Nem sei bem porquê! Mas gostei de me sentir aqui, começo a habituar-me à vida neste país. Estou a fazer as pazes com a chuva. Na terça de manhã fui à praia e na volta para casa (15min a pé) choveu. A chuva dura normalmente 15/20min e pára, mas quando chove é muito intensamente! Cheguei a casa encharcada, parecia que tinha mergulhado com a roupa no mar. Até é divertido :P e é uma incerteza constante! Ora está sol, ora, do nada o céu fica encoberto e se não te abrigares em 5 minutos ficas ensopada.
Já me começo a habituar aos motoristas malucos e a como andar de ônibus é como andar de montanha russa. Gosto das pessoas aqui, todas são prestáveis e simpáticas. Bom, passadeiras são um mito, estão lá só para enfeitar. Se um carro parar para eu passar, o de trás apita! Mas no geral são todos muito respeitadores e amigos.

Nas aulas ninguém põe o braço no ar e interrompem a professora com naturalidade como se fosse uma conversa de amigos. Eu pareço uma deficiente a tentar não a interromper e falar só quando ela pausa, nunca acerto. A comida é óptima e há imensas verduras em todas as refeições. Nas estradas há várias lombas. Os carros têm que abrandar tanto que até podem comprar fruta aos vendedores que lá estão à espera.

Acho que também me sinto melhor porque comecei as aulas, estou mais orientada. Para não falar no facto de ir mudar de casa amanhã! Estou desejosa! Estou farta de dormir num sofá-cama duro e de ter a minha roupa ainda na mala! E a casa nova é ao lado da casa do Pedro e da Bárbara (que tem uma piscina no terraço :p).

Bom e na verdade… receber mensagens do Filipe todos os dias faz-me sorrir desalmadamente em todo o lado!

* Fazemos sentido outra vez. :)

Esmola

Terça foi feriado aqui. Não sei bem de quê. Eu e a Bárbara fomos à praia de manhã. Estava cheia de gente! Mas como era feriado parece que toda a gente tirou o dia para pedir… Não sei como hei-de reagir a isso. Sete pessoas pediram-me esmola nesse dia! Na praia um homem de muletas sem uma perna pediu. Não demos. Ao almoço na feirinha (várias esplanadas com grande diversidade de lojas e comida) vimos um miúdo descalço a quem a empregada ofereceu um açaí.

Pouco depois uma mulher de 60/70anos pediu-nos esmola. Perguntei se tinha fome. Pagámos-lhe uma tapioca de queijo e banana que ela gostou muito. Mal saímos da esplanada duas outras mulheres da mesma idade pediram dinheiro pra comer, cheias de moral. “Temos diabetes não podemos ficar mt tempo sem comer, só queremos uma tapioca e tal” “Mas, têm diabetes e vão comer uma tapioca??” Enfim, não custa nada, demos-lhes 2 reais cada uma e vimos que foram mesmo comer, mais tarde quando nos viram na rua agradeceram muito.

À noite ao jantar passou outro puto a pedir. Mesma lengalenga “Se tiveres fome podemos pagar-te algo para comeres…” Pegou na sanduíche todo contente e levou para as irmãs mais velhas que estavam à espera mais à frente. Normalmente são os mais novos que recebem melhor, os irmãos ficam à espera.

Antes de acabarmos a refeição veio um senhor, já conhecido dos meus colegas de casa, pedir dinheiro para o ônibus, é jardineiro e vem todos os dias para o centro procurar trabalho quando não encontra pede dinheiro para conseguir voltar a casa.

Como devem imaginar isto custa muito. Principalmente porque não sei se o que faço está certo. Na minha primeira semana um menino veio-me pedir um pouco da comida que tinha no prato e eu dei-lhe um não horrível. Nem sequer comi tudo no fim… Senti-me culpada durante uma semana. Dinheiro não dou, mas comida? …Ninguém devia ter falta de comida e é tão barato pra mim! Não sei, não quero alimentar isto. O que vale é que esta cidade não é muito turística, por isso não é à custa da esmola dos turistas que eles sobrevivem. Isto angustia-me um bocado.

Viagem a Pipa

Sexta a Ellie deu um churrasco em casa dela. Era uma da manhã e fomos dar um mergulho na piscina dela! Foi engraçada a festa mas deitei-me cedo e fui atacadíssima pelas melgas (murissocas como lhes chamam aqui).
Lá na festa conhecemos a Andrea. “Bora a Pipa? Bora, vamos no meu carro!”. No domingo eu, a Bárbara, o Pedro e a Andrea fomos a Pipa. Ela ia ficar em casa dum amigo e não sabia se dava pra ficarmos lá, entretanto nós mandámos uma mensagem pelo couchsurfing a uma bacana que vivia com um Gustavo. Coincidência? Esse Gustavo era o tal amigo da Andrea!


Pipa é um ponto internacional de turismo, tem os melhores hotéis do Brasil, praias óptimas, etc. Mas…é só uma rua! É só uma longa rua empedrada e algumas ruas de terra que a cruzam.
Foi pena o tempo. Fomos à praia mas não parou a chuva miudinha. Mas valeu o samba à noite, à chuva, descalças e o tempo divertido com eles. E aquele hambúrguer de queijo e ovo à noite! Na segunda vimos que tinham roubado a matrícula do carro da Andrea, ridículo. Por isso voltámos nesse dia.




Caminho para a praia do Madeiro :)







As ruas de Pipa nesta época de chuva! Tudo alagado.









Incluindo o interior da boate! O Pedro disse que estava a sair água inclusivé do banheiro. Não sei se estava a gozar, mas também não quero saber! :x








Pessoal a dormir na praia!







Noite de Samba! :D

Rute (couchsurfer em casa do Gustavo), Pedro, Bárbara, Gustavo, Andrea e eu :)

terça-feira, 14 de abril de 2009

Novas

O Ricardo, o Pedro e a Sofia foram com as famílias para Pipa e Porto Galinhas de quinta a domingo. Ora, não ia passar a Páscoa sozinha. :)
O Stanley convidou-me para ir a um festival em Gravatá (perto de Recife no estado abaixo), com uns amigos dele. Lembrei-me de convidar a Ellie (inglesa que conheci lá na universidade) e ainda bem porque me diverti imenso com ela!

Fomos as duas no carro do Stanley e foram mais cinco amigos dele. Dormimos numa pousada perto do festival. Só havia dois quartos, mas eles deixaram as meninas ficar no quarto d casal.


(Os rapazes muito determinados a jogar dominó!)

Muita chuva, imenso calor, muita confusão e forró por todo o lado.
O pessoal foi muito simpático e acolhedor. Mas é impressionante como merecem toda a fama de engatatões que conhecemos dos brasileiros.
Ouvi Natiruts, com a Ellie, debaixo de uma chuva imensa, super contente. As outras bandas não eram tão giras e estou absolutamente farta de forró! Por duas vezes acordei com Forró muito alto a tocar numas colunas em cima dum carro (coisa estranahmente comum aqui).

Eu e a Ellie.

No domingo chegou o Pedro Cardoso e a Bárbara. É bom ter cá alguém mais conhecido e recém-chegado.
Ontem comecei as aulas. É muito mais exigente do que eu pensava. Tenho quase um teste por mês de cada disciplina, um relatorio, uma saída de campo... Vai ser a sério!
Escolhi disciplinas de Biologia para ver se faço a ponte com o que quero seguir no futuro.
É engraçado como o conhecimento é formatado de modo tão diferente de acordo com as diferentes ciências. Estou habituada e apaixonada por Psicologia. Cada coisa que se aprende é testado em nós mesmos. Tudo o que estudo é comprovado em mim, porque estou a estudar o modo como a minha própria mente funciona. Pelo contrário nas ciências "exactas" há uma concentração no exterior de nós, é tudo muito mais concreto e óbvio.
Só pra dar um exemplo, na aula de zoologia o professor fala de concentração na matéria e de valores morais bem definidos, enquanto que a professora de psicanálise convida as pessoas a dizer à turma, ou a anotar num papel à parte, todos os pensamentos que surgirem na mente durante a aula. Porque pode ser interessante compreender o porquê desse pensamento nesse momento, ou só para libertar a mente e aumentar a concentração na aula.
Vai ser um grande exercício mental ter estas duas vertentes. Uma exigente a nível da concentração, da direcção para algo específico exterior a mim, que é bem definido, matemático, material... outra de auto-compreensão.
É como colocar-me em frente a um espelho e ver os meus olhos lá espelhados e olhar um espelho e concentrar-me nos olhos que estão a ver.
Ainda me custa muito estar longe... mas espero que vá melhorar.
*

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Estou a começar a gostar de estar aqui... :)


(vista da minha sala)

domingo, 5 de abril de 2009

Monólogo

Sabem aquela miúda bem chata?
A Margarida? A que se está sempre a queixar, não diz nada de novo... até é irritante! Ela anda sempre ora triste e nostálgica, ora aborrecida com a vida.
Eish..! Tou farta dessa gaja.
Estou desejosa que a outra chegue. A Margarida bem-disposta, desafiadora e divertida. Já tenho saudades dela, e não a vejo há bue.
Espero que volte depressa...

(No coments please.)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Nova casa

Hoje saí de casa da Vera e do Paulo.

Gostei muito deles, preocuparam-se imenso comigo (embora a Vera seja meia distraída). Perguntaram quem eram estes portugueses com quem vim viver. A Vera até ficou triste por eu ir embora.
Mas já era tempo. Tempo para poder sair à noite e não ter que voltar de taxi sozinha, para me dar mais com pessoal da minha idade e para sair de casa dos "pais" outra vez!

Vou ficar na nova casa até dia 25 deste mês (porque o apartamento já ta pago). Aqui há dois quartos e um mais pequeno onde estou agora, mas este não tem cama, estou num colchão de ar. Por mais 30 euros por mês vamos para o centro, para uma casa bem melhor e maior...embora não esteja virada para o mar! (Que pena.)
Estou com o Pedro, a namorada Sofia e o Ricardo. Estou a gostar muito deles. Além de que falam à norte e a Sofia diz "bamos zembora"!



Esta é a vista do meu quarto, estamos a uma rua da praia (embora não seja a melhor).





E esta é a tarântula que vi na universidade no outro dia, se alguém tiver curiosidade :P


P.S. Está um CALOR INSUPORTÁVEL!

;)