terça-feira, 5 de maio de 2009

Fotos do Passeio à Cachoeira

Fomos à cachoeira do Roncador, eu, a Bárbara, Sofia, com a Andrea e o Daniel.

Embora tenha passado grande parte da viagem (2horas) a dormir, a paisagem é muito bonita.
Mas como estamos no Brasil, o caminho para um ponto turistico internacional é sempre uma aventura. Como choveu durante a noite a estrada (de terra) estava cheia de buracos e lama.

(O pessoal a analisar o caminho antes de avançar com velocidade com o carro.)

A Cachoeira do Roncador:



(Fotos vaidosas.)

A cachoeira vista de cima:
Se fizerem zoom vê-se as pessoas lá em baixo, à direita, bem pequeninas!

Mais a cima havia outra cascata bonita :)
Acabámos por ficar no jacuzi no meio da corrente forte!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Viver obviamente

Apercebi-me de que posso ser e querer o que eu quiser. Acho que a maioria das pessoas não tem esta noção. Vemo-nos duma maneira e congelamos essa ideia que temos de nós mesmos. Vamos adaptando essa imagem com o espelho dos que nos estão proximos dão. Mas a qualquer altura da nossa vida podemos dizer "Quero ser mais exigente", "Quero ser mais organizada","Quero ser mais agradável", etc, a não ser que não tenhamos estômago para tal mudança. Somos muito flexíveis e construímo-nos constantemente.
Mas se nos construímos, vamos mudando também o nosso gosto, o nosso desejo, sonho. O que é óptimo, crescemos. Mas aí entra a minha questão viciada.
Três coisas que se vão ligar:
1º O meu desejo, aquilo que eu quero, depende de quem eu sou; portanto nesta linha, quem eu sou define aquilo que eu quero, aquilo que eu vou seguir e ter como objectivo na vida.
2º Quem eu sou está em constante movimento, sempre a desenvolver-se e a criar um novo eu.
3º Aquilo que eu procuro agora é o que eu vou seguir e portanto é aquilo que me vai construir. Quero seguir psicologia, porque quero ser psicóloga (por exemplo). Tenho objectivos na vida para me realizar neles para os integrar na minha pessoa e assim sou diferente do que era antes de os realizar.

Então aqui surge o atrofio: Aquilo que eu procuro é aquilo que me faz e o que eu sou é o que define a minha busca na minha vida!

Por isso, ando ultimamente sempre no mesmo círculo. Sei o que é que gosto, mas será que é suficiente? Será que é o que me ajudará a crescer no sentido que eu gostava? Além de que estamos muito limitados ao que nos rodeia. O que quer dizer que vamos gostar do que temos e o que temos vai-nos fazer o que já conhecemos.

Seria tão mais fácil ter um destino pré-determinado. Ter sinais à nossa volta a dizer "estás no bom caminho, minha filha.." :P
Mas não. Temos que arriscar e entregar-nos ao que temos. Não há outra hipótese senão viver a vida, escolher de entre tudo no mundo esta ou aquela maneira de viver. Não vou ter nunca a certeza de esta escolha ser melhor ou pior, mas tem que ser. Se continuar a questionar-me sobre o que será o melhor para mim, vou me aperceber que para saber quem é esse eu que procura realizar-se tenho que saber como é construído, ora é construído pela sua própria vivência, pelas suas escolhas na maneira de viver! É um ciclo do qual não dá pra sair.
Vou então fazendo pequenas escolhas no dia a dia.

Pois é, parece que o objectivo da vida é mesmo vivê-la :)

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Coisas Desvairadas

Non belive que já passou quase uma semana desde que escrevi! O tempo passa um bocado rápido e eu tenho sono. Dói-me a barriga por causa da aula de pilates de ontem. Ontem faltou a electricidade à tarde e noite em toda a cidade. Jantámos à luz das velas numa pizaria a carvão. Gosto das minhas aulas mas são muito intensas e despreocupadas ao mesmo tempo. Como é que é possível ne? Confunde uma pessoa. Hoje também faltou a electricidade e guess what: sem ar condicionado não ha aulas pra ninguém. Estou a ensinar a Andrea a dizer shot gun nos momentos apropriados. O Pedro por seu lado só diz expressões palermas. Fiz uma comidinha óptima: arroz acenourado com refogado de soja, pimentos e tomate. Ficou muito bom e acabei de o almoçar. Os brasileiros inventam muitas palavras, é estranhíssimo. Gosto da minha casa nova. Mas na verdade estou um pouco apreensiva em tirar os cortinados da frente da janela, porque ontem pedi a um bacano que estava na janela dele, no hotel aqui ao lado, para me dizer a passe da net do hotel. E não quero cá mais coisas pelas janelas. A palavra janela tem bue piada. Janela janela janela. Gosto do pessoal da universidade. A música muda completamente o que sentimos pelas coisas, adoro ouvi-la no ônibus quando vou pa universidade. Na UFPB há milhões de gatos. Não vou à praia, por incrível que pareça não apetece, tá muito calor pa tar a morrer ao sol, só é fixe dar um mergulhinho e voltar.



No outro dia fiquei à espera do ônibus nesta paragem. Foi um bocado assustador, principalmente quando uma mota com dois homens entrou pela floresta adentro através daquele caminhozinho escuro ao lado direito da paragem. Depois começou a chover bastante.






O Nordeste do Brasil.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Mais segura

Ontem pela primeira vez não senti o aperto habitual de saudade e desadequação. Nem sei bem porquê! Mas gostei de me sentir aqui, começo a habituar-me à vida neste país. Estou a fazer as pazes com a chuva. Na terça de manhã fui à praia e na volta para casa (15min a pé) choveu. A chuva dura normalmente 15/20min e pára, mas quando chove é muito intensamente! Cheguei a casa encharcada, parecia que tinha mergulhado com a roupa no mar. Até é divertido :P e é uma incerteza constante! Ora está sol, ora, do nada o céu fica encoberto e se não te abrigares em 5 minutos ficas ensopada.
Já me começo a habituar aos motoristas malucos e a como andar de ônibus é como andar de montanha russa. Gosto das pessoas aqui, todas são prestáveis e simpáticas. Bom, passadeiras são um mito, estão lá só para enfeitar. Se um carro parar para eu passar, o de trás apita! Mas no geral são todos muito respeitadores e amigos.

Nas aulas ninguém põe o braço no ar e interrompem a professora com naturalidade como se fosse uma conversa de amigos. Eu pareço uma deficiente a tentar não a interromper e falar só quando ela pausa, nunca acerto. A comida é óptima e há imensas verduras em todas as refeições. Nas estradas há várias lombas. Os carros têm que abrandar tanto que até podem comprar fruta aos vendedores que lá estão à espera.

Acho que também me sinto melhor porque comecei as aulas, estou mais orientada. Para não falar no facto de ir mudar de casa amanhã! Estou desejosa! Estou farta de dormir num sofá-cama duro e de ter a minha roupa ainda na mala! E a casa nova é ao lado da casa do Pedro e da Bárbara (que tem uma piscina no terraço :p).

Bom e na verdade… receber mensagens do Filipe todos os dias faz-me sorrir desalmadamente em todo o lado!

* Fazemos sentido outra vez. :)

Esmola

Terça foi feriado aqui. Não sei bem de quê. Eu e a Bárbara fomos à praia de manhã. Estava cheia de gente! Mas como era feriado parece que toda a gente tirou o dia para pedir… Não sei como hei-de reagir a isso. Sete pessoas pediram-me esmola nesse dia! Na praia um homem de muletas sem uma perna pediu. Não demos. Ao almoço na feirinha (várias esplanadas com grande diversidade de lojas e comida) vimos um miúdo descalço a quem a empregada ofereceu um açaí.

Pouco depois uma mulher de 60/70anos pediu-nos esmola. Perguntei se tinha fome. Pagámos-lhe uma tapioca de queijo e banana que ela gostou muito. Mal saímos da esplanada duas outras mulheres da mesma idade pediram dinheiro pra comer, cheias de moral. “Temos diabetes não podemos ficar mt tempo sem comer, só queremos uma tapioca e tal” “Mas, têm diabetes e vão comer uma tapioca??” Enfim, não custa nada, demos-lhes 2 reais cada uma e vimos que foram mesmo comer, mais tarde quando nos viram na rua agradeceram muito.

À noite ao jantar passou outro puto a pedir. Mesma lengalenga “Se tiveres fome podemos pagar-te algo para comeres…” Pegou na sanduíche todo contente e levou para as irmãs mais velhas que estavam à espera mais à frente. Normalmente são os mais novos que recebem melhor, os irmãos ficam à espera.

Antes de acabarmos a refeição veio um senhor, já conhecido dos meus colegas de casa, pedir dinheiro para o ônibus, é jardineiro e vem todos os dias para o centro procurar trabalho quando não encontra pede dinheiro para conseguir voltar a casa.

Como devem imaginar isto custa muito. Principalmente porque não sei se o que faço está certo. Na minha primeira semana um menino veio-me pedir um pouco da comida que tinha no prato e eu dei-lhe um não horrível. Nem sequer comi tudo no fim… Senti-me culpada durante uma semana. Dinheiro não dou, mas comida? …Ninguém devia ter falta de comida e é tão barato pra mim! Não sei, não quero alimentar isto. O que vale é que esta cidade não é muito turística, por isso não é à custa da esmola dos turistas que eles sobrevivem. Isto angustia-me um bocado.

Viagem a Pipa

Sexta a Ellie deu um churrasco em casa dela. Era uma da manhã e fomos dar um mergulho na piscina dela! Foi engraçada a festa mas deitei-me cedo e fui atacadíssima pelas melgas (murissocas como lhes chamam aqui).
Lá na festa conhecemos a Andrea. “Bora a Pipa? Bora, vamos no meu carro!”. No domingo eu, a Bárbara, o Pedro e a Andrea fomos a Pipa. Ela ia ficar em casa dum amigo e não sabia se dava pra ficarmos lá, entretanto nós mandámos uma mensagem pelo couchsurfing a uma bacana que vivia com um Gustavo. Coincidência? Esse Gustavo era o tal amigo da Andrea!


Pipa é um ponto internacional de turismo, tem os melhores hotéis do Brasil, praias óptimas, etc. Mas…é só uma rua! É só uma longa rua empedrada e algumas ruas de terra que a cruzam.
Foi pena o tempo. Fomos à praia mas não parou a chuva miudinha. Mas valeu o samba à noite, à chuva, descalças e o tempo divertido com eles. E aquele hambúrguer de queijo e ovo à noite! Na segunda vimos que tinham roubado a matrícula do carro da Andrea, ridículo. Por isso voltámos nesse dia.




Caminho para a praia do Madeiro :)







As ruas de Pipa nesta época de chuva! Tudo alagado.









Incluindo o interior da boate! O Pedro disse que estava a sair água inclusivé do banheiro. Não sei se estava a gozar, mas também não quero saber! :x








Pessoal a dormir na praia!







Noite de Samba! :D

Rute (couchsurfer em casa do Gustavo), Pedro, Bárbara, Gustavo, Andrea e eu :)

terça-feira, 14 de abril de 2009

Novas

O Ricardo, o Pedro e a Sofia foram com as famílias para Pipa e Porto Galinhas de quinta a domingo. Ora, não ia passar a Páscoa sozinha. :)
O Stanley convidou-me para ir a um festival em Gravatá (perto de Recife no estado abaixo), com uns amigos dele. Lembrei-me de convidar a Ellie (inglesa que conheci lá na universidade) e ainda bem porque me diverti imenso com ela!

Fomos as duas no carro do Stanley e foram mais cinco amigos dele. Dormimos numa pousada perto do festival. Só havia dois quartos, mas eles deixaram as meninas ficar no quarto d casal.


(Os rapazes muito determinados a jogar dominó!)

Muita chuva, imenso calor, muita confusão e forró por todo o lado.
O pessoal foi muito simpático e acolhedor. Mas é impressionante como merecem toda a fama de engatatões que conhecemos dos brasileiros.
Ouvi Natiruts, com a Ellie, debaixo de uma chuva imensa, super contente. As outras bandas não eram tão giras e estou absolutamente farta de forró! Por duas vezes acordei com Forró muito alto a tocar numas colunas em cima dum carro (coisa estranahmente comum aqui).

Eu e a Ellie.

No domingo chegou o Pedro Cardoso e a Bárbara. É bom ter cá alguém mais conhecido e recém-chegado.
Ontem comecei as aulas. É muito mais exigente do que eu pensava. Tenho quase um teste por mês de cada disciplina, um relatorio, uma saída de campo... Vai ser a sério!
Escolhi disciplinas de Biologia para ver se faço a ponte com o que quero seguir no futuro.
É engraçado como o conhecimento é formatado de modo tão diferente de acordo com as diferentes ciências. Estou habituada e apaixonada por Psicologia. Cada coisa que se aprende é testado em nós mesmos. Tudo o que estudo é comprovado em mim, porque estou a estudar o modo como a minha própria mente funciona. Pelo contrário nas ciências "exactas" há uma concentração no exterior de nós, é tudo muito mais concreto e óbvio.
Só pra dar um exemplo, na aula de zoologia o professor fala de concentração na matéria e de valores morais bem definidos, enquanto que a professora de psicanálise convida as pessoas a dizer à turma, ou a anotar num papel à parte, todos os pensamentos que surgirem na mente durante a aula. Porque pode ser interessante compreender o porquê desse pensamento nesse momento, ou só para libertar a mente e aumentar a concentração na aula.
Vai ser um grande exercício mental ter estas duas vertentes. Uma exigente a nível da concentração, da direcção para algo específico exterior a mim, que é bem definido, matemático, material... outra de auto-compreensão.
É como colocar-me em frente a um espelho e ver os meus olhos lá espelhados e olhar um espelho e concentrar-me nos olhos que estão a ver.
Ainda me custa muito estar longe... mas espero que vá melhorar.
*