segunda-feira, 30 de março de 2009

Dia chato

Levantei-me algumas vezes da cama durante a noite. Com melgas, calor, ou só porque não conseguia dormir.

Eram 9 horas quando vim ter a casa dos portugueses (na mesma rua mas perto da praia) para irmos à universidade. Fui lá tentar fazer a minha carteira de estudante mas afinal só a partir de dia 3. Por sorte encontrei o coordenador dos Assuntos Internacionais que me disse que eu podia ir a um sítio no centro e fazer lá já hoje. (A carta de estudante é importante pa universidade e dá descontos óptimos nos ônibus e noutras coisas.)

Depois do almoço fui tentar aceder à net ainda na UFPB, mas não havia energia...nem ventoinhas funcionavam.

Fui à assessoria de assuntos internacionais mas era a hora de almoço e ninguém lá estava.

Decidi que tinha de voltar a casa (15min d onibus + 20 a pé) para ir ver o endereço do sítio onde se faz a carta d estudante e o passe.

Não estava ninguém em casa. Gritei à vizinha "Ana!...Minino!" e aparece o Fabricio (de uns 8 anos) a correr descalço pelo entulho.
- "Oi, Sê tem chave pra mim, tem?"
- "Tem" - e entrega-ma por entre as grades do portaozinho.

De novo cá fora vim apanhar o onibus para o centro.

Estava fechado. Vi lá um contacto e liguei.
"Preciso de fazer uma carta de estudante."
"É, mas não vai dar, não. Estou no banco e está muita fila..Só amanhã."
...No papel à porta de onde tirei o número dizia que estava aberto das 8h às 13h e das 14h às 16h30. Eram 15h.

Depois de gastar todo o dinheiro do telemovel com a senhora, voltei para o meu bairro - Manaíra.
Vim-me queixar aos portugueses, telefonei pra casa e disse que ia jantar com eles fora, porque às 20h íamos ver um apartamento lá perto.

Perto das 20h telefonamos à senhora do aluguer e afinal não havia apartamento pra ninguém.
Vamos amanhã ver outros dois. (Queremos um apartamento com três quartos (pra mim, pro ricardo e outro pró pedro e a sofia) aqui nestes bairros.)

Depois do jantar fui apanhar um táxi para ridicularmente subir a rua (15min a pé!), porque há noite não passo naquela zona sozinha. A rua é só de casas pequenas, tem pouca luz à noite e o movimento que há é do bairro: míudos de bicicleta, pessoal sem t-shirt nas esplanadas e a conversar no mini-mercado.
Pela segunda vez um taxista ficou surpreendido por me ouvir dizer que é no fundo da rua (onde começa a favela). Antes de sair do táxi, pedi para ele não ir embora antes de eu entrar, por favor.

Não tinha uma chave comigo porque tinha deixado na vizinha antes de sair. Agora eram nove da noite, a vizinha ja tava a dormir e a luz de casa estava acesa. Toquei à campainha e nada. A poucos metros estavam três homens e uma criança. Estavam encostados no muro da última casa antes da favela. Um deles sem t-shirt e não me admira que estivessem descalços.

O taxista feito cobarde deixou-me ali sozinha.

Odiei-o.

Toquei imensas vezes, gritei à porta e à vizinha. Tentei telefonar mas tinha gasto todo o dinheiro com a mulher da carta de estudante.
Decidi que não ia ficar à espera de ser assaltada e dei meia volta. Ainda por cima, soube hoje mesmo que há um mês houve tiros e mortes na favela.
Depois de ter pago 5 reais para subir a rua voltei a descê-la, agora sozinha e a pé.
Felizmente na rua ainda havia umas pessoas a apanhar ar, numas cadeiras..na rua a conversar...
Andei o mais depressa, descontraidamente e segura de mim que pude.

Estou em casa dos portugueses aqui no outro extramo da rua. Vou dormir cá. Telefonei mais tarde à Vera e ela tinha ido só em meia hora a casa de não sei quem e tinha-se esquecido de mim.

Ela não tem culpa. Eu é que estou na casa deles e tenho que seguir os seus horários.
Mas estou desejosa de ter a minha chave e uma casa bem longe daqui. Longe da rua que todos me comentam ser perigosa.

3 comentários:

Marta disse...

Oh dear:\ Dias chatos acontecem muito, especialmente quando ainda não tens a tua casinha para onde ires e te sentires segura e em casa. Felizmente correu tudo bem e hoje é um dia melhor. Ao menos não tens chuva como eu, que deprime todas as almas.

Hoje vai ser um dia melhor:)

Anónimo disse...

Oh minha sobrinha querida..quase se me partiu o coração ao ler o teu escrito..mas tenho que ser franca ESTÁ MUITO BEM ESCRITO!Fizeste uma descrição perfeita de um dia mesmo chato..e um pouco perigoso..Brasileiro é mesmo assim..eu tinha avisado :)Oxalá encontres um apartamento depressa.espero q o dia tenha corrido bem melhor hoje.Mtos bjs e saudades.Vou contar algs coisas à avó..outras não:)Mais beijos

teresa disse...

Bem compreendo. Mas nao te preocupes que daqui a uns tempos até vai ser estranho lembrares-te desses dias chatos!